PERU – The real political situation

Cláudio C S Ribeiro – musician and anthropologist.

The recent Peruvian elections (second turn last June, 6th), declared Pedro Castillo (Free Peru), a primary school teacher and union leader, as President. His political counterpart, the ultra-rightist Keiko Fujimori (Popular Force), did not accept the final ballot box score giving 44 thousand votes pro Castillo. Keiko’s party instigated a legal action, trying to annul the elections, but the appeal was considered unfounded by the Justice and Castillo must be led to the Presidency of Peru, the coming July 28th. Fascists and the radical right have reacted against Castillo’s proclamation with recurring street violence and vandalism.
Castillo says he represents a popular movement based on Socialism. He states clearly that Free Peru is a non-communist party that defends property and private enterprises, but fights for human rights and social equity. However, it is as yet too soon to find out which traditional forces are behind Castillo and whether Free Peru could face the structural colonialism of Peruvian society.
Keiko Fujimori, whose father Alberto serves long sentence for violation of human rights and political crimes, is investigated as well for false report of electoral fraud and international money laundering. Additionally, Alberto Fujimori’s other two sons are accused of involvement with drugs and different forms of corruption.
As is usual in many other countries, the ultra-right movement is supported by dirty capital, local corrupted elite, international corporations and Imperialism, whose only goal is to spread neoliberalism, with radical extractivism, the withdrawal of labour and social security rights and the imposition of new forms of colonization.
Even though Free Peru is a lighter force than the “deep” country would need, Castillo and the future Congress have the chance to rearrange Peruvian popular movement and subvert the old unfair social system.

Reflorestemos nossos corações e mentes

Por Suzi Berni

“Reflorestemos nossos corações e mentes”, palavras de Angélica Kaingang, ativista da etnia indígena dos Kaingangues, em live de 16/08 da Fração indígena do PCB pelo canal do YouTube do Poder Popular e mediada pelo camarada Claudio Ribeiro.
Reflorestemos. Quem, na sociedade capitalista, sabe o que é, o que realmente compõe uma floresta? Quem sabe como nasce o sol durante as quatro estações? Quem sabe diferenciar seus raios pelo contato com a pele e as plantas? Quem conhece o desenvolvimento de uma ou outra espécie de árvore? Quem entende o rio como um irmão? Quem sente o cheiro de uma cobra venenosa?
Quando Angélica e seus irmãos kaingangues se dirigiram ao RU da UFRGS para o almoço, não era no consumo da refeição que eles pensavam. Não era no status do local. Não era em quanto custava uma refeição. Era na ágape tribal. Era no prazer do convívio. Era na ingestão de alimentos que sustentam o corpo; não no consumo que aproxima o ser criado pelo capitalismo de qualquer ente da realidade, seja uma floresta, uma refeição, uma família. Os seres do capitalismo, quando se reúnem em família é para consumir comida e, em geral, álcool. Não é para um contato profundo, real, fluido entre um e outro. Raramente dizemos o que pensamos e ignoramos nossas diferenças. Não as reconhecemos e aceitamos. Não. Nós a negamos.
Então, a triste pergunta que fiz à entrevistada precisa de uma resposta que fique clara para toda a população brasileira: se os povos originários pudessem andar livremente pelas terras brasileiras, ela teria sentido vontade/necessidade de ir para a Universidade, esta filha do capitalismo cuja principal função tem sido a de apagar de nossas mentes e corações a existência da floresta?

Hasta siempre, camarada Santrich!

Jesús Santrich estará presente em todas as nossas lutas!

Ivan Pinheiro

“Levo seus abraços, risos e alegrias compartidas. Deixo-lhes o que fui, tal qual me conheceram, com minha alma desnuda a todo momento; deixo-lhes minhas canções, minhas prosas e meus poemas; deixo-lhes a cor de minhas pinturas e meus pensamentos, como a simples prova de meu apreço sincero e dos meus sonhos”.

O Comandante Jesús Santrich deixou-nos essa despedida premonitória, em 15 de abril de 2018, ainda vivendo em Bogotá, como um dos deputados nomeados pelas FARC, com base em cláusula do acordo que desmobilizou a guerrilha.

Como Iván Márquez (então senador, pelo mesmo critério), ele tinha consciência dos riscos que corria como inimigo do estado terrorista colombiano. Ambos haviam divergido da entrega prévia das armas e denunciavam o descumprimento do acordo por parte do governo e o assassinato de centenas de guerrilheiros desmobilizados. Há dois anos, abandonaram seus mandatos e voltaram às montanhas, para a Segunda Marquetalia.

Conheci os dois em um acampamento das FARC, na selva colombiana, em 2010, durante encontro de alguns dirigentes comunistas latino-americanos com delegação da insurgência, para conhecer seus pontos de vista e estreitar laços de solidariedade. Santrich foi o meu interlocutor, nos horários livres do tempo em que lá permaneci. Na véspera da minha partida, aceitei sua proposta de gravar uma entrevista para divulgação na rádio guerrilheira, após a confirmação de minha segura volta ao Brasil.

Escrevi a respeito dessa reunião o texto “Nas montanhas da Colômbia”, que transcrevo a seguir. Foi publicado no portal do PCB, em 25 de julho de 2010, quando eu cumpria tarefa como secretário geral do Partido.

Mais tarde, durante os diálogos com vistas a uma solução política para o conflito colombiano, estive com eles mais algumas vezes, em Havana, na delegação do Movimento Continental Bolivariano que acompanhava os entendimentos.
Jesús Santrich, além de intelectual orgânico e revolucionário exemplar, era poeta, músico e artista plástico, apesar de sua acentuada deficiência visual.

Seu assassinato, em covarde emboscada e em meio a intensas mobilizações populares em seu país, vai se voltar contra o estado terrorista colombiano e o imperialismo estadunidense, que transformou a Colômbia em sua base militar para a América Latina e o Caribe.

Juntando-se aos de Guevara, Marighella, Lamarca e tantos outros heróis da Nuestra America assassinados pelos nossos inimigos, o exemplo de Jesús Santrich será mais uma inspiração, entre os revolucionários, em todas as formas de lutas anticapitalistas e anti-imperialistas.

Hasta siempre, camarada Santrich!

Ivan Pinheiro é membro do Comitê Central do PCB

NÃO ESQUEÇA A VIOLÊNCIA SANGUINOLENTA DOS NEONAZISTAS: UCR NIA – 2014ODESSA, 2 DE MAIO. MARIUPOL, 9 DE MAIO DE 2014

Em 2014, o governo eleito democraticamente da Ucrânia, liderado pelo então Presidente Viktor Yanukovic, sofreu um golpe de estado concebido pelo imperialismo,  visando retirar a Ucrânia de uma posição de neutralidade e posicioná-la ao lado dos EUA e seus aliados ocidentais, levando-a ao combate contra a Rússia, transformando-a em membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte ( OTAN), o braço militar do imperialismo.  O golpe foi executado pelo movimento Euromaidan, composto por forças de orientação neonazistas, como o famigerado Batalhão Azov, e pela oligarquia mafiosa da Ucrânia.

Entre as atrocidades cometidas pelo Euromaidan, está vivo, na memória de todos, o dantesco incêndio da Casa dos Sindicatos, na cidade de Odessa provocado por bombas molotov jogadas contra o prédio por neonazistas, no dia 2 de maio de 2014. 

(Credito Yevgeny Volokin/Reuters)

O incêndio criminoso foi ateado por neonazistas que jogaram bombas molotov  contra o prédio. E no interior da Casa dos Sindicatos estavam muitas pessoas e sindicalistas. Os que tentavam fugir das chamas eram golpeados com bastões ou metralhados, nas portas do prédio ou na rua. Pouquíssimas pessoas se salvaram desse crime horroroso.  As imagens tétricas desses fatos percorreram o mundo pelas estações de TV e por redes sociais.

O dia 9 de maio é celebrado como o Dia da Vitória  sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial pela Federação Russa e por outros países. 

Nesse dia, em 2014, na cidade Mariupol, um importante porto no Mar de Azov, manifestantes celebravam o Dia da Vitória com uma marcha pacífica e ordeira. 

Lembravam que a cidade tinha sido ocupada, entre 1941 e 1943, e praticamente destruída pelo exército alemão, sendo, posteriormente, reconstruída pela então União Soviética.

Foi o bastante para que as forças neonazistas ucranianas atacassem os manifestantes, com tanques de guerra, armamentos de diversos calibres, provocando dezenas de mortos e feridos.

(Manifestantes tentam deter um tanque de guerra lançado contra participantes da marcha do Dia da Vitória em Mariupol, em 9 de maio de 2014)

Quando muitos países se deixam seduzir pelos cantos de sereia de grupos de extrema direita é significativo lembrar que o nazi-fascismo, em suas  diversas ramificações, só produz violência, assassinatos, fome, miséria.

Nos dias de hoje os neonazistas ucranianos, apoiados pelo imperialismo americano e seus aliados, continuam a guerra contra as Repúblicas Populares de Donestk e Lugansk que não aceitam o domínio fascista. 

É preciso que a civilização derrote a barbárie.

Lembrança criada por um grupo de internacionalistas – Cláudio Ribeiro, Erecina Figueiredo, Nubem Medeiros, Luciano K. Vieira e Humberto Carvalho.

DON’T FORGET THE BLOOD VIOLENCE OF NEONAZISTS: UKRAINE – 2014ODESSA, MAY 2. MARIUPOL, MAY 9, 2014

In 2014, Ukraine’s democratically elected government, led by then President Viktor Yanukovic, suffered a coup d’état conceived by imperialism, aimed at removing Ukraine from a position of neutrality and positioning it alongside the USA and its Western allies, taking it the fight against Russia, making it a member of the North Atlantic Treaty Organization (NATO), the military arm of imperialism. The coup was carried out by the Euromaidan movement, composed of neo-Nazi guiding forces, such as the infamous Azov Battalion, and the Mafia oligarchy in Ukraine.

Among the atrocities committed by the Euromaidan, the dante fire of the House of Trade Unions in the city of Odessa, caused by molotov bombs thrown at the building by neo-Nazis, on May 2, 2014, is alive in everyone’s memory.

(Credit Yevgeny Volokin/Reuters)

The arson was started by neo-Nazis who threw molotov bombs at the building. And inside the House of Trade Unions there were many people and union members. Those who tried to escape from the flames were hit with sticks or machine guns, on the doors of the building or on the street. Very few people were saved from this horrific crime. The terrible images of these facts traveled the world through TV stations and social networks.

May 9 is celebrated as the Victory Day over Nazism in World War II by the Russian Federation and other countries.

On that day, in 2014, in the city of Mariupol, an important port on the Sea of ​​Azov, protesters celebrated Victory Day with a peaceful and orderly march.

They remembered that the city had been occupied, between 1941 and 1943, and practically destroyed by the German army, being, later, reconstructed by the then Soviet Union.

It was enough for the Ukrainian neo-Nazi forces to attack the demonstrators with tanks of war, weapons of various calibers, causing dozens of deaths and injuries.

(Protesters attempt to stop a battle tank launched against participants in the Victory Day march in Mariupol, on May 9, 2014)

When many countries allow themselves to be seduced by the siren calls of extreme right groups, it is significant to remember that Nazi-fascism, in its various branches, only produces violence, murders, hunger, misery.

Nowadays Ukrainian neo-Nazis, supported by American imperialism and their allies, continue the war against the Donestk and Lugansk People’s Republics that do not accept fascist rule.

Civilization must defeat barbarism.

Remembrance created by a group of internationalists – Cláudio Ribeiro, Erecina Figueiredo, Nubem Medeiros, Luciano K. Vieira and Humberto Carvalho.

Guerra EUA-Ucrânia em Donbass e na Rússia!

Pare os ataques de drones a civis!
Pare de matar crianças!
Justiça para as Vítimas do Massacre de Odessa 2014!

Há sete anos, o governo de direita da Ucrânia, apoiado pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais, está em guerra com o povo das repúblicas independentes de Donetsk e Lugansk na região de Donbass da Europa Oriental. Cerca de 14.000 pessoas foram mortas, de acordo com as Nações Unidas. O povo de Donetsk e Lugansk vive sob um bloqueio militar brutal imposto pela Ucrânia e seus aliados ocidentais.
Em 22 de março, um aposentado de 71 anos foi morto por um atirador de elite perto da capital Donetsk.
Em 3 de abril, em Aleksandrovskoye, Donetsk, um ataque de drone militar ucraniano matou Vladik Shikhov, de cinco anos, e feriu sua avó de 66 anos.
Em 4 de abril, outro ataque de drones ucranianos feriu um civil em Nikolaevka, Lugansk.
Muitos membros da milícia do povo antifascista também foram mortos enquanto defendiam os residentes.
Desde janeiro, a Ucrânia tem fortalecido suas forças militares na linha de frente do conflito. Ele usa armas proibidas, tem como alvo civis, escolas e residências, violando o direito internacional e os acordos regionais de cessar-fogo.
Batalhões de soldados afiliados a organizações neonazistas foram enviados à região, substituindo as tropas regulares do exército ucraniano. Mas os governos ucraniano e americano e a grande mídia culpam Donetsk e Lugansk por tomarem medidas para se defender e ameaçam a Rússia por prometer proteger as pessoas de lá se a Ucrânia invadir.
Enquanto isso, trabalhadores de todas as nacionalidades na Ucrânia sofrem repressão, desemprego e aumento de preços enquanto seu governo vende os recursos do país para Wall Street.
O governo dos EUA, sob as administrações Trump e Biden, deseja desesperadamente interromper o projeto do gasoduto Nord Stream 2, que permitiria à Alemanha e outros países da Europa Ocidental comprar gás russo. Crianças, idosos e outros civis em Donetsk e Lugansk são considerados alvos descartáveis ​​por Kiev e Washington enquanto tentam provocar uma crise para lhes dar uma desculpa para continuar a expansão militar da OTAN e punir a Rússia.
Nos últimos dias, os EUA e a OTAN alertaram sobre um aumento militar russo perto da fronteira com a Ucrânia, mas nunca mencionaram que um dos maiores exercícios militares liderados pelo Exército dos EUA em décadas começou e decorrerá até junho: Defender Europe 2021 , com 28.000 soldados de 27 países operando em uma dúzia de países, dos Bálcãs ao Mar Negro, que faz fronteira com a Rússia e a Ucrânia.
É daí que vem o verdadeiro perigo de guerra. Nós dizemos não!
Nossa convocação conjunta para ações internacionais está relacionada também a outra tragédia horrível.
O dia 2 de maio de 2021 marca o sétimo aniversário do Massacre de Odessa, quando uma multidão massiva liderada por organizações abertamente fascistas assassinou muitas pessoas na Casa dos Sindicatos em Odessa, Ucrânia. Em fevereiro daquele ano, um golpe de direita apoiado pelo governo dos EUA derrubou o presidente eleito da Ucrânia, desencadeando organizações neonazistas contra qualquer pessoa que se pensasse se opor ao golpe, especialmente cidadãos ucranianos de ascendência russa.
Foi esse golpe – raramente mencionado por qualquer mídia ocidental na cobertura das atuais tensões crescentes na região – que levou o povo russo de Donetsk e Lugansk a se declarar independente da Ucrânia. Pela mesma razão, o povo de maioria étnica russa da Crimeia realizou um referendo no qual decidiu se reunir com a República Russa, da qual fizeram parte. Foi o golpe de direita que precipitou esses eventos, não a “agressão russa”.
Em 2 de maio, em Odessa, uma cidade multiétnica no Mar Negro, os progressistas se reuniram em frente à Casa dos Sindicatos na praça Kulikovo e reuniram assinaturas para uma petição exigindo que a província de Odessa tivesse o direito de eleger seu próprio governador, em vez de ser nomeado pelo novo governo central de direita.
Sem aviso, eles foram atacados por uma multidão muito maior, liderada por fascistas. Eles se retiraram para o prédio do sindicato de cinco andares, que a multidão incendiou. Pelo menos 42 pessoas morreram por causa das chamas, inalação de fumaça ou espancadas até a morte após pularem das janelas do prédio para escapar do incêndio. Até o momento, nenhuma pessoa foi condenada por participar do massacre, embora haja dezenas de vídeos dos eventos em celulares. (Pesquise no Google “2 de maio de 2014, Odessa”.) Além disso, o governo ucraniano nunca permitiu uma investigação internacional independente da tragédia. Enquanto isso, o governo dos EUA continua a apoiar tanto o governo ucraniano quanto as organizações neonazistas que apoiaram o golpe e lideraram o ataque em Odessa.
Algumas dessas organizações, incluindo o Batalhão Azov, se associaram a grupos de supremacia branca dos EUA, fornecendo-lhes treinamento paramilitar.
Todos os anos, no dia 2 de maio, apesar da ameaça de ataques dos fascistas, os Odessanos se reúnem no local do massacre para prestar homenagem aos que morreram ali. E a cada ano, organizações antifascistas em todo o mundo realizam ações locais para mostrar seu apoio e pressionar a demanda dos Odessanos por uma investigação internacional sobre a tragédia. (Para obter mais informações sobre o Massacre de Odessa, consulte: https://odessasolidaritycampaign.org.)
O povo dos Estados Unidos, do Reino Unido, dos países da União Europeia ou de qualquer outro país não ganharia nada com uma guerra com a Rússia, cujo único propósito seria promover os lucros do Big Oil, outras corporações e bancos. Nós é que pagamos o preço, em sangue e recursos. Não queremos que tropas americanas ou quaisquer outros soldados sejam enviados para lutar e morrer em outro conflito desnecessário. E clamamos contra o regime de procuração dos EUA na Ucrânia, matando nossas irmãs e irmãos em Donetsk e Lugansk.
Acabar com a ajuda dos EUA ao regime de Kiev! Acabar com todas as guerras e sanções dos EUA!
Em solidariedade com o povo progressista da Ucrânia, exigimos o seguinte:
1 – Uma investigação internacional independente sobre o Massacre de Odessa em 2 de maio de 2014.
2 – Fim do apoio dos governos dos Estados Unidos e outras potências ocidentais às organizações neonazistas como o Setor de Direita, o Partido Svoboda, as milícias C-14 e o Batalhão Azov.
3 – Fim do apoio militar ao governo ucraniano na guerra contra o povo de Donbass, que se recusa a ser dominado pelo governo de direita.

  1. Pressionar o governo ucraniano para proibir as organizações neonazistas na Ucrânia.
  2. Proibir a entrada nos EUA ou em países da União Europeia e seus aliados de qualquer membro de organizações neonazistas ucranianas.
  3. Uma investigação internacional sobre o financiamento de organizações neonazistas ucranianas pela liderança oficial ucraniana, com a imposição de sanções internacionais aos culpados.
    Além disso, conclamamos todas as organizações progressistas ao redor do mundo a realizar vigílias, comícios, reuniões públicas e outros eventos em 2 de maio para levantar as demandas acima.
    ————————————————– —-
    Esta Declaração foi iniciada pelas organizações americanas Odessa Solidarity Campaign (http://odessasolidaritycampaign.org) e Solidarity with Novorossiya & Antifascists na Ucrânia (https://www.facebook.com/UkraineAntifaSolidarity) e é apoiada pela União de Emigrantes Políticos e Presos Políticos da Ucrânia, entre muitas outras organizações.
    Endossantes (lista em formação):
    PARA ENDOSSAR ESTA DECLARAÇÃO, RELATAR SOBRE EVENTOS LOCAIS DE 2 DE MAIO OU PARA MAIS INFORMAÇÕES, CONTATE:
    CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE DE ODESSA
    Um projeto dos Defensores da Virgínia pela Liberdade, Justiça e Igualdade PO Box 23202, Richmond, VA 23223 – EUA
    Facebook: Campanha de Solidariedade Odessa – Web: http://odessasolidaritycampaign.org
    Telefone / Texto: + 1-804-644-5834 – Email: DefendersFJE@hotmail.com

25 DE ABRIL – VITÓRIA DA LUTA ANTIFASCISTA NA ITÁLIA E EM PORTUGAL

Por Humberto Carvalho

ITÁLIA

Em 25 de abril de 1945, jornais de diversas tendências políticas como L´Unità, do Partido Comunista Italiano, Il Popolo, da Democracia Cristã, Avanti, do Partido Socialista e outros anunciavam o fim do fascismo na Itália.

Uns dias antes, em Turim, as forças antifascistas estabeleceram a data de 18 de abril como um ato político unitário, visando envolver várias categorias de trabalhadores, numa grande greve.Os fascistas emitem instruções destinadas a “esmagar com energia todo movimento sedicioso” e a repressão foi violenta, respirando-se um ar mesclado de tensão e sangue.  Na noite entre 17 e 18 de abril, a cidade se prepara para o movimento: trabalhadores, auxiliados por unidades guerrilheiras armadas, os partigiani, distribuem folhetos e colam cartazes, convocando a greve. Na manhã do dia 18 de abril, fábricas, lojas, mercados, escolas, transportes, correios e telefonia param. É a Greve Geral. No início da tarde, o sucesso da greve é ​​evidente: Turim está pronta para enfrentar o último e decisivo ato da luta de libertação, a greve da insurreição e o confronto aberto de 25 de abril de 1945.

Em 24 de julho de 1943, o Grande Conselho fascista destitui Mussolini do poder querestou aprisionado em um hotel na região do Gran Sasso. Mussolini, entretanto, foi resgatado por um comando nazista e se instalou no norte da Itália, controlada, naquele então, por tropas alemãs, criando a “República Social Italiana”, também conhecida como República de Saló, desesperada e inútil tentativa de se manter no poder e em obediência às ordens ditadas por seu congênere, Adolf Hitler.

Turim, Milão e outras cidadedo norte italiano deveriam ser tomadas pelas forças antifascistas o que ocorre em 25 de julho de 1945. Nessa luta, a bem da verdade, destaca-se o nome de Luigi Longo como comandante das Brigate Garibaldi, uma força de partigiani alinhadas ao Partido Comunista. Longo estará presente na prisão final de Mussolini, no Lago Como, efetuada pela Brigada Garibaldi. E mais tarde, será o Secretário-Geral do PCI.

PORTUGAL

(Crédito – Brasil de Fato)

Desde a carta constitucional de 1933, em Portugal, estabeleceu-se um regime com características fascistas, o chamado “Estado Novo”, chefiado por Antônio de Oliveira Salazar. O Estado Novo proibia, entre outros, greves e a existência de partidos políticos, exceção feita à União Nacional, partido criado por Salazar.

Esse regime, conhecido, também, como “salazarismo”, pois se tratava de um regime político centralizado na figura de seu fundador, defendia a manutenção de colônias, inspirado na ideia de um império português, porém republicano, autoritário e radicalmente conservador.

No salazarismo, a presidência da república sempre foi exercida por um militar de alto escalão. O Presidente da República indicava o chefe do Conselho de Ministros e Antônio de Oliveira Salazar era o nomeado, sempre.

Após a Segunda Guerra Mundial, a ONU passa a defender o direito de autodeterminação dos povos e assim, pressiona as nações para que concedam a independência às suas colônias.

Salazar muda o status das colônias para “províncias ultramarinas” e concede a cidadania portuguesa a todos os habitantes e, assim, tenta escapar das pressões internacionais em relação às colônias.

Isso não impede, entretanto, o surgimento das guerras coloniais pela independência o que desgasta o salazarismo.

Ainda, o modelo conservador impede a modernização de Portugal, apesar de relativa industrialização. Então, Portugal é um país pobre.

Salazar, em 1968, sofre um acidente vascular cerebral e é afastado de suas funções por incapacidade, vindo a falecer em 1970, sendo substituído por Marcelo Caetano. Militares, especialmente, capitães, cansados do regime que levava às guerras e à pobreza planejam derrubar o governo de Marcelo Caetano e em 25 de abril de 1974, os capitães, apoiados pelo povo, terminam como salazarismo e, mais tarde, são estabelecidas eleições democráticas.

COMO O BRASIL É VISTO POR JORNALISTAS ESTRANGEIROS? VEJAM O ARTIGO ABAIXO

Brasil à beira do abismo?

Por Martintxo Mantxo  – 16/04/2021

Diante do retorno de Lula para disputar a presidência do Brasil nas eleições de 2022, e das críticas à gestão catastrófica da pandemia, Bolsonaro incentiva discursos golpistas em seu governo.

O Brasil vive um momento muito difícil, com um governo, o do Bolsonaro, que tem se destacado por negar a pandemia do coronavírus e, portanto, por sua ineficácia, e por sua tentativa de aumentar seu poder e autoritarismo. A isso se somam outras condições no Brasil, como o alto índice de setores empobrecidos (19 milhões de pessoas passando fome) e a falta de meios para atender a população. Ou poderia ser dito o contrário: a progressiva concentração em uma minoria com recursos e possibilidades e a grande exclusão da maioria.

Ao mesmo tempo, convergem males endêmicos da economia brasileira, como seu compromisso com o extrativismo, com efeito direto em um ecossistema maior, como a Amazônia, e também a falta de medidas e segurança de seus megaprojetos minerários, hidrológicos e outros , que levam a desastres como os que ocorreram nos últimos anos. A última ocorreu no dia 25 de março no município de Godofredo Viana, no estado do Pará, onde rachou outra barragem de rejeitos da maior mineradora de ouro do país, a Aurizona. Esse desastre se soma aos de Mariana (2016), Brumadinho (2019) e Florianápolis (2021).

No dia 31 de março, a antropóloga feminista Tchella Masso compartilhou conosco uma mensagem que concentra a frustração e a dor sofrida por milhares de brasileiras neste momento: “é muito, muito difícil … lágrimas nos olhos e muita raiva … o preço da comida nas alturas, muita fome, hospitais lotados, mortes e mais mortes; e os militares, incluindo o próprio presidente, defendendo abertamente a violência, os abusos de poder e o autoritarismo ”. O que instigou essas palavras, além dos motivos citados, que se tornaram uma constante neste ano, está no próprio dia, aniversário do golpe militar que instituiu a ditadura militar no Brasil em 1964. Porque o recém-nomeado ministro da Defesa, Braga Neto, comemorou esse golpe, o Movimento 31 de Março, que segundo ele “pacificou” o país.

A ditadura brasileira durou daquele ano até 1985, caracterizada por forte repressão contra a esquerda, que incluiu prisões, torturas, mortes e desaparecimentos. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) calculou o último em 433. Com a Lei de Anistia, mais de 25.000 presos políticos foram libertados. Mas outra característica sinistra dessa ditadura, e com a qual Bolsonaro também não é tão diferente, foi ter promovido a colonização de territórios indígenas, chegando a criar campos de concentração e assassinar cerca de 8.000 indígenas.

Mas o fato em si tem mais substância, já que o citado Braga Netto é também Chefe do Estado-Maior do Exército desde fevereiro de 2019. Desde abril de 2020, passou a ser considerado “presidente operacional”, deixando Jair Bolsonaro mais como presidente oficial, mas sem real potência. Alguns meios de comunicação descreveram este evento como um golpe de estado. Mas, por si só, sua nomeação agora como ministro da Defesa corresponde à saída do primeiro, Fernando Azevedo, por se recusar a se posicionar favoravelmente aos golpistas de 1964 e também por se recusar anteriormente a se manifestar contra o Judiciário após a decisão favorável a Lula.

O ex-ministro da Defesa também contou com o respaldo dos comandantes do Exército, Aeronáutica e Marinha, que também cederam seus cargos. Este fato mostra que apesar de seu passado militar e de sua política autoritária e propensa a um governo militar, nem todos concordam com Bolsonaro no exército, e suas decisões e políticas têm causado uma crise dentro dele. Bolsonaro não contava com militar na ativa para preencher a vaga no Ministério da Defesa, e teve de nomear aquele que já ocupava a presidência do Estado-Maior do Exército, o general Braga Netto. Ele também terá problemas para substituir os comandantes depostos, já que os próximos na hierarquia também foram afetados por eles. Por esta razão, Bolsonaro será forçado a aposentá-los prematuramente e nomear outros para os cargos inferiores. Tudo isso vai aprofundar ainda mais essa crise.

Dois dias antes, o chanceler Ernesto Araújo também renunciou. Entre outras coisas, Araújo também tem sido alvo de críticas por não importar vacinas contra a Covid-19.

Os tribunais também deslegitimam o governo

Também em março passado, o Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu que o ex-presidente Lula da Silva (2003-2011) não foi tratado com justiça nas investigações de corrupção, o que põe em causa todo o caso Lava Jato (Lava Jato) e deslegitima ao Bolsonaro governo. Porque aquele caso também foi o estopim do impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff, e o conseqüente golpe institucional. Também levou à prisão arbitrária de Lula, que passou 518 dias na prisão, com o consequente impedimento de disputar as eleições de 2018, o que levou Bolsonaro à tomada do poder.

Devemos lembrar que o caso foi tratado pelo juiz Sérgio Moro. Sua sentença foi anulada por evidências do conluio de Moro como juiz com a equipe de acusação e excessos de seu papel de magistrado. Em 23 de março de 2021, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal considerou que o ex-juiz Moro não foi imparcial na sentença contra Lula. Além disso, pode-se entender que tinha interesses particulares, já que o próprio juiz participava do mesmo governo do Bolsonaro como Ministro da Justiça e Segurança Pública. Saiu, ironicamente, por conta da interferência do presidente Bolsonaro na gestão da justiça, em 24 de abril de 2020.

A decisão atual permite que Lula volte a disputar as eleições de 2022, algo para o qual parece que Lula está mais motivado do que nunca e o país também pela trágica situação que o país atravessa. A imagem do Bolsonaro vem se deteriorando, perdendo credibilidade. A crise do coronavírus poderia ser favorável, já que Bolsonaro favorece medidas restritivas e repressivas. No entanto, a forma como negou o risco e desprezou a população em geral o fez perder muito do apoio que o levou ao poder. Bolsonaro se referiu à pandemia como um mero “resfriado”, que o que mata as pessoas é o confinamento e disse às pessoas afetadas para “pararem de choramingar”.

Essa negacionismo se reflete na gestão da pandemia. Primeiramente, dispensou seu ministro da Saúde, Nelson Luiz Sperle Teich, para colocar, mais uma vez, outro militar no comando, o general Eduardo Pazuello. Sperle permaneceu apenas um mês no cargo, já que também substituiu Luiz Henrique Mandetta (1º de janeiro de 2019 – 16 de abril de 2020) que brigou com Bolsonaro por não implementar o confinamento. Neste dia 16 de março, no pior momento da pandemia com 12 mil mortes em uma semana, ele mudou novamente, colocando um profissional médico, Marcelo Queiroga. Pazuello está sob investigação judicial por falhas óbvias no gerenciamento de uma pandemia. Sua demissão é entendida como uma forma de Bolsonaro melhorar a situação, mas acima de tudo o ânimo da população e sua imagem. Mas também contribui para o desgaste do exército, que no caso de Pazuello, está em péssima reputação e legalmente, e que se sente usado.

Por todas essas razões, os movimentos de Bolsonaro podem ser interpretados como uma forma de radicalizar sua posição, que foi o que lhe trouxe tantos bons resultados políticos. Mas a situação e seu passado agora são diferentes. Por isso, alguns propõem também aquelas palavras nostálgicas da ditadura, como preparação do terreno para a possibilidade do retorno de Lula, para preservar seu poder e o dos militares ligados a um golpe. A história recente do Brasil torna difícil afastar tal hipótese e as informações alimentam essa ideia de golpe. Segundo um dos coordenadores nacionais do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Moisés Borges, “o Bolsonaro está tentando instigar a polícia estadual a se rebelar contra os governadores. Essa é a tentativa de golpe, para causar desgaste ”. Conclui que “nem mesmo as próprias forças armadas apóiam o Bolsonaro”. Borges também concorda com a preocupação que atualmente atinge a maioria da população brasileira tanto no plano sanitário, político, democrático, econômico, trabalhista e até ambiental.

A crise de Bolsonaro também é política. Todas as pesquisas indicam que está em seu ponto mais baixo, pelos motivos já explicados. Mas também, por estas razões, ele próprio esteve perto de um impeachment contra si, para o qual teve de fazer concessões ao centrão, entregando a Secretaria-Geral do Governo e o Ministério da Justiça. O centrão é a bancada do Executivo composta por diferentes partidos não preponderantes, não pertencentes nem ao partido no poder nem à oposição, mas geralmente conservadores e que, como neste caso, são os que os que apoiam aquels que fazem mais ofertas. Agora, Bolsonaro cedeu a Secretaria-Geral de Governo ao Partido Liberal (PL). Esses também foram os que se beneficiaram com o impeachment contra Dilma, assumindo o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), na figura de Michel Temer, o governo (2016-2018).

Genocídio coronavírico

O Brasil é o país onde o coronavírus apresenta os piores números do planeta: 21% de todas as mortes ocorrem no Brasil, enquanto sua população é de 2,7% do mundo. A proporção é de 128 mortes por 100.000 habitantes. Obviamente, isso tem a ver com a política negativista de seu governo. As pessoas infectadas sobem para 12 milhões. A semana de 29 de março a 3 de abril foi a pior até agora, com mais de 19.600 mortes, elevando o número total para 330.193. Se essa progressão continuar e sem implantar o confinamento, especialistas alertam que neste mês podem ocorrer 5 mil mortes por dia

O jornalista brasileiro Eric Nepomuceno compara o resultado do coronavírus pelo não-agenciamento de Bolsonaro com as vítimas da guerra na Síria, já que ambas são responsáveis ​​por 300 mil mortes. No caso da Síria em 10 anos, e no caso do Brasil em um. Nepomuceno conclui “Tanto na Síria como no Brasil, isso tem um nome: genocídio. E no nosso caso, temos um responsável: Jair Bolsonaro ”. Como ele também aponta, deve-se levar em conta que esses são os números oficiais, mas que devido às características do Brasil com muitos cidadãos não registrados e também estes sendo os mais vulneráveis ​​(indígenas, moradores de bairros, etc.). acredita-se que haverá muitos mais, elevando o número para 400.000.

Se lembrarmos que as propostas eleitorais de Bolsonaro eram disparar tiros contra o narcotráfico e armar a população para se defender do crime, que sua política tem sido a de ocupação das favelas, sua militarização e repressão, poderíamos deduzir que essas medidas na pandemia têm os mesmos objetivos. Esse genocídio, talvez não premeditado, mas presumido, persegue os moradores das favelas, sem-teto ou indígenas, que estão entre os mais vulneráveis ​​à pandemia.

Como em muitos outros países quando as medidas pandêmicas foram implementadas, uma das principais fontes de risco eram as favelas, porque são comunidades sem estabilidade econômica, sem renda fixa, que vivem dia a dia, na economia subterrânea, com empregos informais , e para as quais medidas como o confinamento envolvem não comer, pelo que são forçados a sair. As favelas também carecem de recursos como água e saneamento. Nessa situação, é preciso dizer também que o governo estava ausente nas favelas e que eram principalmente as associações comunitárias que propunham alternativas e medidas, inclusive o confinamento.

Mas essa situação é igualmente alarmante no plano internacional, porque enquanto em outros lugares se trata de controlar ou ter uma progressão mais lenta, o avanço do Brasil representa uma ameaça a essas conquistas. Mas, além da ameaça, soma-se a possibilidade de novas variantes do vírus, que já são realidade com a nova cepa Manaus (P1). Acredita-se que o P1 também tenha sido o causador do aumento das infecções nos últimos dias no Brasil e que possa ser até duas vezes mais transmissível do que o vírus original. Sua irrupção e disseminação comprometem os enormes avanços e esforços da vacinação atual, prolongando a mesma situação após um ano de pandemia.

Essa situação é agravada pelos poucos recursos de saúde. Em Manaus, na Amazônia, um dos epicentros da pandemia, os hospitais não têm oxigênio para atender os pacientes. Além disso, as grandes cidades tiveram sua capacidade hospitalar totalmente colapsada (Brasília 100%, igual ao Rio Grande do Sul). Os negócios não essenciais foram fechados, mas não houve medidas de confinamento, além das decididas voluntariamente, por iniciativa pessoal. Mas é claro, como sabemos em nossos lugares, que se o confinamento não for oficialmente estipulado, a atividade continua e não podemos nos excluir dela, principalmente quando é de natureza econômica, aumentando os riscos.

Ruptura de um novo depósito de resíduos de mineração

Além dessa convulsiva situação sanitária e política, soma-se a situação ambiental e social. No dia 25 de março quebrou mais um depósito de rejeitos da empresa Aurizona (propriedade da Equinox Gold), no município de Godofredo Viana, no Maranhão. Esse desastre se somou aos recentes e semelhantes em Brumadinho (25 de janeiro de 2019) e Mariana (5 de novembro de 2015), e a um recente em Florianópolis (25 de janeiro de 2021). Segundo o membro do MAB ( Movimento dos Atingidos por Barragens), Moisés Borges, nesta ocasião “não há mortos, mas 4 mil pessoas precisam de água potável”. O desastre ocorreu dois dias depois (23 de março) que, a pedido do MAB, a Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou a tramitação do projeto de lei (PL 66/2021) para garantir os direitos das populações atingidas pelas barragens.

O lodo tóxico da mineradora Aurizona atingiu o rio Tromaí, invadindo a estação de tratamento de água que abastece os moradores da região. A falta de água potável durou cinco dias. O rio Tromaí estava poluído, assim como o manguezal e a zona costeira. Devido aos desastres mencionados, sabe-se que essa contaminação persiste há anos.

Aparentemente, a barragem secundária rompeu após intervenções da mineradora para impedir a entrada de água da chuva em uma de suas minas. A empresa minimizou os danos. A barragem de lodo afetada e a mina pertenciam a mineradores ilegais, antes de serem adquiridas pela Equinox Gold do Canadá. Em 2018, a empresa encenou outro acidente ao mover pilhas de material com uma explosão de dinamite. Cerca de quatro mil pessoas foram afetadas, permanecendo isoladas.

O MAB compartilha que este “é mais um crime socioambiental das mineradoras, que são as que mais se beneficiam do atual modelo energético existente no país e que são contra a população brasileira. A mineração, as hidrelétricas e as barragens de água no Brasil não podem continuar representando insegurança, medo e violência para a população que mora no entorno desses empreendimentos ”. O MAB lançou uma campanha de socorro para aliviar a emergência por um mês e distribuiu 4.000 kits de higiene, 2.000 cestas básicas e 360.000 litros de água potável.

Nessa área está a maior reserva mineral de ouro do Brasil e uma das maiores do mundo com previsão de 750 mil toneladas de ouro. A mineração de ouro tem um sério impacto ambiental e social. Além de ser a céu aberto, essa mineração consiste no que se chama de lixiviação. A lixiviação consiste em extrair toda a rocha para esmagá-la e lavá-la em uma solução de água misturada com cianeto ou mercúrio, a fim de separar as partículas microscópicas de ouro da rocha. Tal como acontece com a mineração de ferro ou cobre, o resultado são toneladas de lama misturadas com esses minerais altamente tóxicos e mortais chamados rejeitos. Milhares de toneladas de lixo tóxico. Além do enorme uso de água. Os números são alarmantes: por tonelada de pedra a média é de 2 gramas de ouro. Já para esses 2 gramas, são necessários 2.000 litros de água.

Quando ocorreu o desastre de Brumadinho (25 de janeiro de 2019), após o desastre de Mariana três anos e dois meses depois (5 de novembro de 2015), deu-se o alarme pela situação dos rejeitos (resíduos de mineração). Na época, havia mais de 400 depósitos de rejeitos somente no estado de Minas Gerais, com cerca de 50 deles em risco de rompimento. Como dizemos e no que nos diz respeito, outros locais e outras minas, como o ouro, não são estranhos a essas práticas.

A este tipo de mineração deve-se acrescentar a ilegal, que embora sem acarretar a drástica atividade industrial, também responde por inúmeras condições ambientais que incluem também a contaminação de solos e águas, ou mesmo o desmatamento. Notícias recentes falam do desmatamento de 500 hectares (equivalente a 500 campos de futebol) da reserva Yanomami durante os 12 meses da pandemia, ou da mudança do curso do rio Mucajaí. Os Yanomami e Munduruku estão sofrendo na carne com a expansão da mineração ilegal. Em dezembro de 2020, estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre os impactos do mercúrio em áreas protegidas e nos povos da Floresta Amazônica revelou que 100% dos indígenas Munduruku estão contaminados.

Diante dessa situação, temos que voltar novamente, ao que é feito, pelo governo, para barrar essas situações. É preciso lembrar que, ao assumir o cargo, Bolsonaro já havia proposto acabar com os sistemas de proteção ambiental e indígena, que, segundo ele, eram um freio ao extrativismo. O MAB também denunciou as tentativas de Bolsonaro de liberar a mineração ilegal, nos estados onde também governam seus fiéis (Roraima e Rondônia). Em Roraima, a Assembleia Legislativa aprovou neste ano de 2021 um projeto de lei para liberar a extração de todos os tipos de minérios, mas foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal. Seu antecessor, o também de direita Michel Temer, abriu uma área protegida de 47.719 km² (maior que a Dinamarca) para a mineração (ouro, ferro, cobre).

O coordenador do MAB em Roraima, Francisco Kelvim, explica que “o Ministério de Minas e Energia realiza audiências sobre a liberação da mineração nos estados do Amazonas e o Governo de Bolsonaro recebe lideranças no Congresso Nacional alinhadas aos interesses mineiros. Há também a cooptação de lideranças de grupos étnicos e indígenas em torno dessa agenda ”.

Portanto, temos repetidos danos e desastres, pois a economia brasileira tem se pautado na extração de recursos, priorizando o benefício da segurança ambiental e humana. Não podemos ignorar que os governos de Lula e Dilma (2003-2016) também dependiam do extrativismo, mas este também foi entendido como uma forma de arrecadar recursos para investimentos sociais: educação, energia, habitação, saúde, etc. enquanto, desde então, os benefícios são para a empresa e seus gestores. Os governos Temer e Bolsonaro agora priorizam uma elite à qual também pertencem.

E enquanto a Amazônia também continue a encolher

Este desastre na costa amazônica se soma à ofensiva incessante sofrida pela floresta amazônica. Os incêndios de 2019 foram históricos, com mais de 70.000 incêndios entre janeiro e agosto. 2020 foi semelhante com 20.473. Todos eles tinham como principal motivo a apropriação cada vez maior de terras para monoculturas de soja ou pecuária e outras práticas extrativistas. A seca devido à emergência climática também contribuiu para eles. Também se juntaram ao que  ocorreu na Bolívia e no Paraguai, com os quais a catástrofe adquiriu níveis planetários. Bolsonaro também negou: “A Amazônia não está sendo devastada, nem consumida pelo fogo”.

Pior é um negacionnismo com interesses, porque como sabemos ele não se preocupa muito com a selva ou seus habitantes, mas com os benefícios de sua elite.

 Os recordes do ano passado são terríveis, com 1,7 milhão de hectares desmatados, três vezes mais do que o próximo país no ranking (RD Congo). Acima de tudo, mostra que é uma progressão muito alta, 25% a mais que no ano anterior, quando Bolsonaro assumiu o poder. O Pantanal também foi destruído 30% em 2020.

 As áreas mais propensas a incêndios são as próximas às estradas. Uma nova ameaça está surgindo hoje na Amazônia, também fruto daquela política de Bolsonaro e de seu desejo de colonizar a Amazônia: uma nova rodovia, a Nova Transamazônica. Isso liga Manaus a Porto Velho e atinge uma área de influência de 270 mil km², que abriga 25 Zonas de Conservação. Grilagem de terras e incidentes com os habitantes indígenas originais já estão sendo relatados.

 

Fonte: https://rebelion.org/brasil-al-borde-del-abismo/

Tradução: equipe de internacionalistas.org

Exército ucraniano ataca com drones e causa a morte de menino de cinco anos em Donbass

5.04.2021 WORLD & GEOPOLITICS

Na República Popular de Donetsk, uma criança de cinco anos morreu devido a um ataque de um drone ucraniano no sábado. “A PACE (sigla em inglês para Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa)e a OSCE (Organização da Segurança e Cooperação na Europa) deveriam exigir explicações da liderança ucraniana”, disse o Presidente do Parlamento Russo.

No dia 3 de abril, como resultado do bombardeio nos arredores de Donetsk, morreu uma criança nascida em 2016. De acordo com a Milícia do Povo da República Popular de Donestk, o exército ucraniano usou um veículo aéreo sem tripulação equipado com bombas. O menino morreu no local e, ainda, uma senhora idosa ficou ferida. Eles estavam no pátio de um prédio residencial no assentamento de Aleksandrovskoye quando um drone ucraniano lançou um artefato explosivo na área.

A família confirma a versão oficial – foi um ataque de um drone ucraniano. A equipe do Frente de Notícias visitou a aldeia de Aleksandrovskoye e conversou com a avó da criança. Ela disse que desejava que o militar ucraniano, que havia cometido esse crime, sonhasse com o inocente garoto Vladik todas as noites.

“Não sei que tipo de guerra pode haver com essa criança. Ele não sabe o que é guerra, não lhe ensinamos essa palavra e ele não sabe como jogá-la. Não pronunciamos esta palavra. Vladik tinha cinco anos de idade. Amava a natureza, era um menino alegre e gentil, sonhava em ser cozinheiro … ”disse a avó da criança falecida.

PACE e OSCE devem exigir explicações da liderança ucraniana em relação à morte de uma criança em Donbass e avaliar o que aconteceu, disse Viacheslav Volodin, presidente do Parlamento russo, propondo-se a discutir a exclusão da Ucrânia do Conselho da Europa.

O Secretário de Imprensa do Presidente da Rússia, Dmitry Peskov, disse: “Cada vez que uma pessoa morre, especialmente se for uma criança, é uma tragédia. Claro, tudo isso são consequências amargas da situação instável. Além disso, as consequências do aumento da tensão na linha de contato”. Ele também acrescentou que o Kremlin considera importante garantir a segurança de todos os cidadãos das autoproclamadas repúblicas de Donbass.

“A criança que morreu hoje em Donbass nasceu durante a guerra e morreu nela. Ele nunca aprendeu o que é verdadeiramente uma infância comum pois não conheceu a paz”, escreveu Alexander Kots, um jornalista de guerra. Outro jornalista militar informou que observadores internacionais foram instruídos sobre como encontrar a família do menino e devem comparecer ao funeral da criança.

Na segunda-feira, 5 de abril, o Comitê de Investigação da Rússia abriu um processo criminal sobre a morte de uma criança e os ferimentos de dois residentes. O anúncio foi feito por Svetlana Petrenko, representante oficial do Comitê de Investigação da Federação Russa.

De acordo com um representante do Provedor de Justiça do DPR, desde 2014, 81 crianças morreram devido a bombardeamentos no território da República Popular de Donetsk. Na República Popular de Lugansk, 34 crianças foram mortas. Centenas de pessoas ficaram feridas, sem falar nas milhares de crianças que perderam os pais, bem como aquelas cujas casas foram destruídas.

Fonte: https://mainland.press/2021/04/05/five-year-old-boy-died-in-donbass-during-a-strike-by-a-ukrainian-drone/

 

Tradução – Humberto Carvalho

A carestia e a fome batem a nossa porta.

Os ataques do governo Bolsonaro à soberania alimentar

Por Messias Silva Manarim

Entre tantas notícias da semana, uma em especial chama bastante a atenção: a que se refere ao preço da carne vermelha. Não pretendemos aqui no presente texto realizar o importante debate sobre a produção agropecuária do Brasil, seu modelo destrutivo do meio ambiente, a questão dos agrotóxicos e dos transgênicos, todos temas relevantes e necessários, mas que ficam para um outro momento.

A preocupação que apresento está relacionada à segurança alimentar do nosso povo. Desde Temer está em curso um processo acelerado de desmonte da política de soberania e segurança alimentar no país. Há que se lembrar de que Temer reduziu drasticamente o orçamento de aquisição de alimentos da agricultura familiar, o que leva a dois prejuízos imediatos: aos agricultores e às populações atendidas. Soma-se a esse processo o avanço em especial do plantio de soja, que tem levado à redução de áreas de plantação de mandioca e feijão nos últimos anos.

Bolsonaro extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar, que retornou a existir seis meses depois. O que está em jogo com todas essas medidas?

Está muito claro que o governo e os ruralistas não estão muito preocupados se os brasileiros irão comer, ou se terão alimentos para comprar. Tanto que as medidas que o governo visa adotar na área vão evidentemente encarecer a cesta básica, como fazer desaparecer os produtos do mercado, vejamos:

1) Tributação da cesta básica;

2) Privatização de armazéns da CONAB;

3) Fim do financiamento da agricultura familiar;

4) Manutenção do preço da carne elevado.

O governo estuda tributar a cesta básica, o que de imediato causaria aumento nos preços dos alimentos de consumo imediato das pessoas: arroz, farinha de trigo e de mandioca, feijão, macarrão, açúcar, sal, etc… Essa medida tem a mesma natureza que a tributação do seguro desemprego. Não basta ser pobre, ter poucos recursos, ainda tem que pagar imposto, enquanto os ricos são cada vez mais beneficiados.

Privatização dos armazéns da CONAB e ataque à agricultura familiar

A CONAB é a Companhia Nacional de Abastecimento. Possui importantes armazéns de depósitos de alimentos e insumos básicos, especialmente milho, que ajudam a regular estoques e preços do produto, além de fornecer o cereal de forma subsidiada a pequenos agricultores. Com a privatização dos mesmos, ela não terá essa função, ficando todos reféns do preço de mercado, e elevando os custos de produção, com a consequente elevação dos preços dos alimentos.

Também está na pauta do governo acabar com o financiamento da agricultura familiar, tema que saiu do noticiário, mas está sempre presente. Cabe lembrar que cerca de 75% dos alimentos consumidos pela população vêm da agricultura familiar. Deixar de garantir o financiamento a este setor significa colocar em risco a vida do povo brasileiro.

A ministra da agricultura afirmou que o preço da carne não vai baixar. Isso demonstra claramente quais os objetivos dos ruralistas e desse governo: atender os interesses do capital. O Brasil possui um dos maiores rebanhos bovinos do planeta, uma extensão de terras agricultáveis colossal, mas foca a maior parte da produção agrícola para exportação e não para permitir o maior acesso da população aos alimentos.

Com Bolsonaro e Teresa Cristina, assim como era com Blairo Maggi, o caminho que está sendo construído é de elevar os preços dos alimentos consumidos pela classe trabalhadora, com aumento da sua tributação, e o mais grave de tudo isso, a falta de alimentos, isso mesmo! Se essa política de desmonte do financiamento da agricultura familiar avançar, nosso povo pode ficar sem comida.

Fonte: Artigo atualíssimo publicado em 30.11.2019 no O PODER POPULAR.

https://www.facebook.com/101402212025835/posts/116489530517103/?sfnsn=wiwspmo