A SURPREENDENTE LONGA MARCHA DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA

Se nos questionarmos quais são as revoluções mais importantes na história da libertação dos povos, certamente teremos a Revolução Francesa (1789), a Revolução Russa (1917) nas primeiras colocações e, em terceiro lugar, a Revolução Chinesa que culminou na proclamação da República Popular da China em 1º de outubro de 1949, há 70 anos, e continua.
Este ano, também se comemora os 100 anos da criação, em 1919, da IIIª Internacional, obra de Lênin que vislumbrou a necessidade da luta contra o imperialismo e o colonialismo, unificando trabalhadores e povos oprimidos. A esse respeito, é bom lembrar um trecho do texto de Ho Chi Min, por ocasião dos funerais de Lênin, publicado no Pravda, em 27 de janeiro de 1924: “…este grande líder, depois de haver libertado seu próprio povo, desejou libertar outros povos. Ele convocou os povos para colaborarem com os asiáticos e com os africanos para libertá-los do jugo de seus agressores estrangeiros, de todas as potências ocupantes, dos Governadores Gerais, etc. E para atingir esta meta, ele delineou um programa definitivo”.
Foi Lênin quem asseverou o direito inalienável à autodeterminação das nações oprimidas e conclamou os povos oprimidos a se levantarem contra o jugo do colonialismo e do imperialismo. Desse modo, os movimentos de libertação nacional, desde então, passaram a contar com o apoio decidido do primeiro Estado socialista e dos jovens partidos comunistas que foram se formando, inclusive nos países imperialistas.
A revolução chinesa se caracterizou por ser antiimperialista, contra o colonialismo, de libertação nacional e socialista.
Não pretendo aqui fazer um relato da Revolução Chinesa, complexa, longa, com muitas etapas marcantes na História, como a Longa Marcha. Mas, sim, dizer que essa Marcha prossegue. Iniciada com um exército proletário e de camponeses em luta contra os “nacionalistas” de Chiang Kai Shek e dos senhores da guerra, trazendo esperança e liberdade entre os pobres e os trabalhadores à medida que avançavam, transformou-se, hoje, na marcha para fazer da China a maior potência econômica do Mundo.
Não podemos esquecer o que era a China, antes da Revolução: composta por 90% dos agricultores famintos, a população tinha o padrão de vida mais baixo do planeta. Era inferior ao da antiga África britânica e subsaariana da Índia. Nesta terra onde a vida estava pendurada por um fio, a expectativa de vida era entre 36 e 40 anos. Abandonada à ignorância, apesar da riqueza de uma civilização de mil anos, 80% da população chinesa era analfabeta.

Hoje, a economia chinesa responde por 18% do PIB global em paridade de poder de compra e superou a economia dos EUA. A China é a principal potência exportadora do mundo. Sua força industrial é duas vezes a dos Estados Unidos e quatro vezes a do Japão.
Esse desenvolvimento econômico melhorou drasticamente as condições de vida do
povo chinês. A expectativa de vida aumentou de 40 para 64 anos sob Mao (de 1950 para 1975) e agora se aproxima de 77 anos (contra 82 na França, 80 em Cuba, 79 nos EUA e 68 na Índia) . A taxa de mortalidade infantil é de 7% contra 30% na Índia e 6% nos Estados Unidos. O analfabetismo está praticamente erradicado.
Ainda mais significativo, a taxa de pobreza, de acordo com o Banco Mundial, passou de 95% em 1980 para 17% em 2010 e 3,1% em 2017. Xi Jinping prometeu sua erradicação até 2020.
A China de Mao se beneficiou primeiro da assistência da URSS, mas foi interrompida em 1960 durante o cisma sino-soviético. Foi para resolver esse problema crucial que Deng Xiaoping organizou em 1979 a abertura gradual da economia chinesa ao capital externo: em troca dos lucros obtidos na China, as empresas estrangeiras realizariam transferências de tecnologia para as empresas chinesas.
Como órgão governante do país desde 1949, o Partido Comunista Chinês sabe que o menor desvio da linha de bem-estar coletivo seria mal compreendido e provocaria sua queda. Acostumados a pensar que a democracia se baseia no ritual eleitoral, os ocidentais não entendem esse sistema. Além disso, eles nem vêem que sua “democracia” acomoda uma designação de presidente pelos bancos, enquanto na China os bancos obedecem ao presidente.
Para impulsionar o desenvolvimento do país, os comunistas chineses construíram uma economia mista impulsionada por um estado forte. Seu principal objetivo é o crescimento, apoiado desde as reformas de 1979 na modernização das empresas estatais que dominam os principais setores, construindo um setor privado forte, e a transferência de tecnologia de países mais avançados. Ao contrário do que às vezes é dito, foi o próprio Mao Tse Tung quem iniciou esse processo em 1972, quando restabeleceu as relações com os Estados Unidos.
Nenhum país capitalista alcançou o elevado nível de desenvolvimento, em 70 anos, da China. E isso é um feito grandioso do Partido Comunista Chinês.
Muitos falam que a China é um país capitalista, de estado, ou não, que mistura mercado e socialismo e por aí vai…
Mas, esquecem que, na Rússia Soviética, após a Guerra Civil, em 1921, Lênin aplicou a NEP (Nova Política Econômica), com traços capitalistas, para a formação de um capital social inicial que seria utilizado na construção do socialismo. Um censo de 1897 afirmava que a população russa era de 128 200 000 habitantes. Era preciso alimentar essa população. A NEP findou com o Iº Plano Quinquenal, em 1928, visando uma rápida industrialização da já URSS (que foi fundada em 1922).

Vejo o atual período de crescimento da China, como uma espécie de NEP chinesa para alimentar uma população de 1.394.550.000 habitantes. E devido a esse bilionário número, talvez a “NEP” chinesa tenha de durar mais tempo do que a soviética.
A experiência histórica da República Popular da China é única: é o sucesso de uma
estratégia de saída do subdesenvolvimento em uma escala sem precedentes e sob a
liderança exclusiva de um partido comunista, no rumo do socialismo.

Humberto Carvalho

LA BESTIA SALE DEL VALLE DE LOS CAIDOS

Escrito por Secretariado Político

Cuarenta y cuatro años después de su muerte, y por decisión de quiénes se apoyaron en sus crímenes para restituir la monarquía de los Borbones y garantizar la continuidad de la dictadura del capital en España, sale del Valle de los Caídos la momia del mayor asesino de la historia de este país.
En ningún caso, en ninguno de los países que se puedan asimilar al nuestro, se produjo nunca en la historia un genocidio tan brutal como el que los militares fascistas españoles, dirigidos por el sanguinario Francisco Franco, realizaron contra su mismo pueblo.
No fue una guerra de intervención en otro país, fue una guerra contra la clase obrera y contra el pueblo, y los crímenes cometidos no tienen comparación en la historia.
Asesinatos en masa, la sangre corriendo a ríos por las calles de Badajoz, el bombardeo de Guernika, las trece rosas, las desapariciones, los paseos, las ejecuciones al amanecer,115.000 personas en cunetas y fosas comunes, 500.000 exiliados y exiliadas, 200.000 sentencias de muerte en los años siguientes al fin de la guerra, prisiones masificadas y hambreadas, campos de concentración, represalias y torturas de todo tipo.
Sobre ese criminal episodio histórico, y sin que ninguno de sus protagonistas haya
pagado con un solo día de cárcel, se construyó la monarquía parlamentaria española.
El criminal y genocida Franco sale del Valle de los Caídos, pero se mantiene la
impunidad del franquismo y sus criminales, los juicios sumarísimos, el no
reconocimiento jurídico de las víctimas. Sale la bestia y se conserva el símbolo del
mayor monumento de exaltación al fascismo y de culto ultracatólico de honra a los
verdugos y humillación a las víctimas del fascismo, con la gran cruz que simboliza al nacional-catolicismo y la tumba del fascista José Antonio Primo de Rivera.
Asistimos a toda una campaña propagandística de exhumación de la momia como acto final de su llamado “cierre del círculo democrático” , campaña que realmente esconde tras de sí la complicidad y consenso de los partidos del régimen y sus órganos de legalidad burguesa, para seguir manteniendo la impunidad del franquismo y los pilares que lo sustentaron.
No es ninguna heroicidad sacar a la bestia de su monumento cuarenta y cuatro años
después. Ante la crisis desesperada del bloque de poder burgués, y como parte de su podrida campaña electoral, sacan la momia para trasladarla a otro enterramiento
privilegiado. Mientras, en Catalunya, los cuerpos represivos aplican a golpe de porras y pelotas de goma la misma vieja política represiva del bloque histórico de poder. La misma política que siempre fracasó y se demostró una vía inútil y sin salida. Como fracasará también en esta ocasión.

Secretariado Político del Comité Central del PCPE
23 de octubre de 2019

Na contracorrente: as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk

Quem diria!

Em pleno século XXI, quando tudo indica, ao menos nestes inícios do século, um predomínio neoliberal, aliado, em vários países, a um ressurgimento de forças da extrema direita, surgem duas repúblicas populares! Quem diria!

Isso ocorre numa importante região mineradora e industrial, conhecida como a Região do Donbass (bacia do rio Don, na realidade uma sub bacia, denominada Rio Donest, um afluente do Rio Don), no leste da Ucrânia, nos “oblasti”[i] (regiões político-administrativas, equivalentes, numa federação, a estados-membros)de Donetsk e Lugansk.

A independência de Donbass surgiu como uma reação ao golpe oligárquico e neonazista ocorrido em Kiev e, em grande medida, incentivado pelas células locais do Partido Comunista e do Partido Socialista Progressista, ambos da Ucrânia, derrotando o Partido da Região que apoiava o golpe de estado perpetrado em Kiev.

Formou-se um amplo espectro de forças sócio-políticas, unido pela rejeição comum ao neonazismo, à burocratização, ao rigoroso centralismo, à corrupção e à ditadura oligárquica. Esse espectro é formado por socialistas, nacionalistas, comunistas, progressistas e outros.

Em 7 de abril de 2014, foi instalado o Conselho do Povo, proclamado como a maior autoridade da República Popular de Donetsk.

Os deputados do Conselho do Povo realizaram a parte principal do trabalho de redação da Constituição da RPD (República Popular de Donetsk) e prepararam o referendo sobre a independência. Em 7 de abril de 2014, o Conselho emitiu a Declaração de Soberania da República Popular de Donetsk e a Lei sobre a Independência do Estado dessa República.

O referendo, movimentos e medidas.

Apesar do aumento das pressões e provocações políticas, midiáticas e militares, realizou-se um referendo nas regiões de Donetsk e Lugansk, que fez a pergunta: “Você apoia a Lei sobre a Independência do RPD/RPL?”

Em Donetsk, 89,7%dos eleitores disseram “sim”, enquanto que, em Lugansk, o “sim” atingiu 96,2% dos eleitores.

As propriedades dos oligarcas foram nacionalizadas e criado um imposto incidente sobre cidadãos ucranianos residentes na região e de seus bens que se destina a financiar as milícias populares em luta contra as forças de Kiev, apoiadas pelo imperialismo.

Inobstante a forte influência de ideias socialistas e a tomada de medidas socializantes, em Donetskformaram-se dois grandes movimentos políticos, verdadeiras frentes:  o Movimento Social da República de Donetsk, que foi fundado por Andrey Purgin que, atualmente, é chefiado pelo líder da RPD, Alexander Zakharchenko, e pelo presidente do Conselho do Povo, Denis Pushilin. O outro movimento, ou frente, é oFreeDonbass (Donbass Livre). As diferenças programáticas entre os dois movimentos representados no Conselho Popular do DPR são mínimas. Diga-se, por importante, que o único partido registrado oficialmente, na RPD, é o Partido Comunista da República Popular de Donestk.

Também em Luganskformaram-se dois fronts: o Movimento pela Paz em Lugansk, liderado por Igor Plotnitsky, membro do parlamento, e a União Econômica de Lugansk. Segundo seus líderes, em especial o Movimento pela Paz, esses partidos têm como objetivos lutar contra o fascismo e fazerem parte da Rússia.No momento, os partidos e movimentos sociais e políticos estão unidos em virtude da guerra.

Mas, diante dessas forças políticas, e movimentos, uma pergunta se impõe: uma vez afirmada a independência, vencida a guerra em que se encontram, para onde irá o sistema sócio-econômico deDonbass? Para um capitalismo nacional? Para o retorno do capitalismo oligárquico, ainda que profundamente reformado?  Ou para o socialismo?

A resposta depende, em boa parte, da solidariedade internacional às repúblicas populares de Donetsk e Lugansk. Os progressistas daquela região e o largo apoio popular que possuem não podem ser abandonados, seja pela indiferença, seja por uma postura de aguardar os acontecimentos. É preciso criar formas de apoio aos nossos camaradas, desde já, e uma delas, como exemplo, pode ser a verdadeira ajuda humanitária. Outro exemplo, é a necessária solidariedade aos combatentes do Donbass presos pelo regime neonazista da Ucrânia.

Donbass e Rússia

É verdade que os separatistas de Donbass são a favor de uma aproximação com a Rússia. Quando as repúblicas populares se uniram num pais, em 2014, este passou a se chamar  Новороссия(transliteração – Novorassia) que significa Nova Rússia.

Mas por que querem se aproximar da Rússia? Existem inegáveis razões culturais e históricas. Basta lembrar que a Rússia nasce, como país, em Kiev, hoje capital da Ucrânia, o que revela os seculares laços de união entre Ucrânia e Rússia. Ademais, há uma importante questão política e econômica. A Ucrânia se encontrava num dilema: ingressar na União Europeia para receber financiamentos, empréstimos, ou fazê-los com a Rússia. O então presidente Viktor Yanukovich preferiu pedir um empréstimo à Rússia e não ingressar na União Europeia. Enquanto isso, principalmente em Kiev, havia o movimento Maidan, ou Euromaidan, favorável ao ingresso da Ucrânia na UE, que acabou derrubando Yanukovich. Quando se consolidou o novo governo na Ucrânia, começou o movimento separatista de Donbass porque eles eram e são contrários às políticas de austeridade e de restrições de direitos da União Europeia e por isso, fundamentalmente, preferem se aproximar da União Alfandegária da Eurásia, sob a hegemonia da Rússia.

A professora de Ciência Política da Universidade da Colúmbia, Elise Giuliano, escreveu um texto, sobre o assunto, intitulado The OriginsofSeparatism: Popular Grievances in DonetskandLuhansk  (As origens do separatismo: queixas populares em Donetsk e Lugansk). O texto se encontra em

A certa altura do texto, ela diz:

“Eu identifico uma série de razões pelas quais as pessoas comuns começaram a apoiar o separatismo examinando queixas em Donetsk e Luhansk no final de 2013 e início de 2014. A análise ultrapassa a compreensão unidimensional dos separatistas como pró-rússia, motivada unicamente por uma orientação duradoura à Rússia que não mudou com o tempo, seja por identidade étnica ou linguística, seja por lealdade política”.

E mais adiante, falando sobre os temas que vai desenvolver, diz:

“No entanto, para outros no Donbass, o apoio ao separatismo não era principalmente a adesão à Rússia, mas foi motivado por várias formas de interesse material, ou por uma sensação de traição por Kiev e do resto do país inspirado nos eventos da Euromaidan. Em termos de interesse material, examino dois tipos de queixas:

1) queixas de redistribuição discriminatória na Ucrânia; e

2) percepções do efeito negativo da potencial adesão da UE ao bem-estar econômico, devido a políticas de austeridade, ou o comércio com a Rússia e a União Aduaneira Eurasiática” (grifos do signatário).

Já, o dr. Eduardo Popov afirma: “A proclamação das repúblicas populares de Donbass foi uma reação lógica ao desmantelamento do estado ucraniano, tal como se formou no âmbito da República Socialista Soviética da Ucrânia”

Reação do Ocidente

Essa “ligação” de Donbass com a Rússia, acrescida da anexação da Crimeia, justificou, no Ocidente, um enorme acúmulo militar norte-americano e da OTAN ao longo das fronteiras russas. As forças da OTAN se estabeleceram nos estados bálticos, exercícios militares foram ou ainda estão sendo realizados no Mar Negro, a Polônia está sendo preparada para a guerra com a Rússia e o possível uso de armas nucleares é quase rotineiro em relação a dissuadir a alegada agressão russa.

Совет(soviete, conselho)

As principais indústrias da região de Donbass foram estatizadas. Depois disso, começou a guerra e o socialismo (que se pretende criar) só pode ser construído na paz. O exemplo histórico da URSS nos ensina que, durante a guerra civil e contra as forças estrangeiras que cercaram a então incipiente URSS, havia o “comunismo de guerra”, isto é, um verdadeiro confisco da produção que praticamente não existia e, depois da guerra, Lênin estabeleceu a NEP para criar um capital inicial e desenvolver a economia para construir o socialismo.

O Conselho do Povo é a maior autoridade da Região e conselho em russo, como se sabe, é “soviet” (совет), como também em ucraniano.

O parlamento da RPD é o Conselho do Povo (ou Conselho Popular) que foi presidido por Boris Litvinov que é, ou foi, o SG do Partido Comunista da República Popular de Donetsk, sucessor do Partido Comunista da Ucrânia, na região, mantendo o mesmo programa do PC da Ucrânia. O PC da RPD faz parte de uma frente política intitulada “República de Donetsk” e apoiou a eleição do atual Primeiro Ministro da RPD, Alexander Zakharchenko.

O Conselho do Povo tem 100 cadeiras e pelo resultado das eleições de 2014, a frente “República de Donetsk” fez 68 cadeiras, sendo 11 destas do PC da RPD e a outra frente política “FreeDonbass” fez 32 cadeiras, sendo que 19 delas pertencem ao “Partido Nova Rússia”.

O Partido Socialista Progressista da Ucrânia, uma dissidência do Partido Socialista da Ucrânia, liderado por NataliyaVitrenko que foi candidata à Presidência da Ucrânia em 1996, não participou, como partido, das eleições de 2014, mas pode ter representantes eleitos pela “República de Donetsk”.

A luta

As novas repúblicas populares estão sendo bem-sucedidas, apesar das difíceis condições, na luta contra o neonazismo ucraniano.

É bom lembrar que no século XX, o primeiro país a lutar, com armas, contra o então nazi-fascismo, foi a República da Espanha e que após o término da Guerra Civil Espanhola, com a lamentável vitória de Franco, em 1939, iniciou a Segunda Guerra Mundial.

As Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk uniram-se e formaram um novo país que é o primeiro, neste século, a lutar, com armas, contra o neonazismo.

Do ponto de vista militar e geopolítico, é importante para a Nova Rússia tomar a cidade portuária de Mariupol que lhe daria uma comunicação marítima, a oeste, com a Rússia e lhe permitiria, pelo Mar de Azov, chegar ao Mar Negro, ao Mar de Mármara, ao Mar Egeu e ao Mar Mediterrâneo e daí, dirigindo-se ao leste, atingir o Oceano Atlântico, ou, dirigindo-se ao sul, pelo Canal de Suez, chegar ao Mar Arábico e ao Oceano Pacífico. Embora Mariupol faça parte da região de Donestk, após vários combates, permanece, ainda, nas mãos militares da Ucrânia.

A luta ideológica interna da Nova Rússia não deve ser intensa devido à guerra, mas certamente se acirrará ao final da mesma.

A Rússia de Putin é o principal apoio internacional à Nova Rússia, mas os defensores, os simpatizantes do socialismo não podem esquecer que a Rússia é capitalista, apesar da profunda luta interimperialista, e, certamente, não apoiará a construção do socialismo em Donbass. Por isso é necessário a solidariedade internacional dos trabalhadores e dos progressistas à classe trabalhadora e aos progressistas da Nova Rússia.

No mundo de hoje, algumas regiões, como o Oriente Médio, a península coreana, como tambémDonbass, podem se transformar em estopins de uma nova guerra mundial.

O apoio a Donbass significa, nos dias de hoje, lutar pela paz e o apoio aos progressistas da Nova Rússia significa a luta pelo socialismo.

Recentemente a VerkhovnaRada, o parlamento ucraniano, aprovou uma lei de reintegração do território de Donbass à Ucrânia, autorizando o Presidente Poroshenko a utilizar as forças militares ucranianas, sem uma declaração formal de guerra, para retomar o território de Donbass. Ao mesmo tempo, acontece uma grande remessa de armas americanas para a Ucrânia. Tudo isso contraria os Acordos de Minsk e aponta para um inevitável recrudescimento da luta entre Ucrânia e Donbass, podendo envolver diretamente a Rússia nos eventos militares, após o esgotamento dos meios diplomáticos, o que levará a OTAN a apoiar a Ucrânia e, assim, certamente, estaríamos diante de uma terceira e, talvez, última, guerra mundial. Esse possível recrudescimento da guerra deverá ocorrer na primavera da região que, hoje enfrenta, um inverno rigoroso, dificultando manobras militares. Ou poderá ocorrer em março de 2018, quando estão previstas as eleições presidenciais na Rússia, criando as dificuldades inerentes ao recrudescimento da guerra, mas visando, também, desmoralizar a política de Putin em relação à Nova Rússia e, assim, influenciar nos resultados daquela eleição.

A separação de Donbass da Ucrânia e as medidas imperialistas tomadas a partir desse evento, demonstram não só a intranquilidade do imperialismo em relação à independência da Nova Rússia, mas o profundo tratamento desigual às situações iguais ou similares.

Dois pesos, duas medidas

É muito irônico, mas não é surpreendente, que o imperialismo use regras e medidas diferentes, no caso do conflito entre Ucrânia e Nova Rússia, daquelas utilizadas em outros países e situações, gerando, para dizer o mínimo, uma insegurança jurídica e políticano que diz respeito ao direito internacional.

Veja-se que, por exemplo, a Croácia, a Eslovênia, a Macedônia e todas as outras então repúblicas iugoslavas foram permitidas, encorajadas e auxiliadas a deixar a Iugoslávia.

A Bósnia tornou-se um estado federal(na verdade em dois estados separados em tudo, menos no nome!).

O Kosovo foi ajudado a deixar a Sérvia depois de uma longa guerra e a Checoslováquia foi dividida em dois países, pacificamente.

A Catalunha tem o seu próprio idioma e uma grande autonomia na Espanha, a província de Quebec tem a mesma situação no Canadá e a Escócia possui uma grande autonomia dentro da Grã-Bretanha.

No Iraque, na Líbia, no Afeganistão, o Ocidente, vale dizer, o imperialismo, nem sequer seguiu nenhuma regra, eles apenas criaram algumas acusações falsas, escandalosas mentiras, para atender seus objetivos de domínio!

Qualquer um daqueles arranjos poderia ter sido aplicado à Nova Rússia em relação à Ucrânia. Mas não, neste caso, o imperialismo não acolhe nada além de uma rendição total da Nova Rússia. Por quê?

Uns respondem que é inaceitável a Nova Rússia, separada em definitivo da Ucrânia, hoje neonazista, porque isso fortaleceria a Rússia e desequilibraria a balança do poder imperialista na região.

Certamente essa reposta é verdade, mas pessoalmente, prefiro acreditar e responder a essa inquietante pergunta, dizendo que Donestk e Lugansk, exercendo o direito de autodeterminação dos povos, declararam-se independentes e se tornaram repúblicas populares, dando um passo inicial, mas significativo, em direção ao socialismo e com isto, definitivamente, o imperialismo não pode concordar. Então, a saída imperialista é o recrudescimento da guerra e a saída progressista é a luta pela paz e a solidariedade internacional à Nova Rússia.

[i] Plural, em russo e ucraniano, de oblast, (em cirilicoобласть) significando região, província.

Brasileiros, sim! Mas, cidadãos do Mundo, também!

Segundo alguns, nacionalismo e internacionalismo seriam conflitantes entre si. Para essa visão paradoxal, nenhuma pessoa ou organização poderia ser, ao mesmo tempo, nacionalista e internacionalista.

Nesta época de neoliberalismo feroz e dominante, essa aparente incompatibilidade se encaixa como uma luva, na medida em que o neoliberalismo é, em última análise, a supervalorização do individualismo, negando a característica solidária do ser humano. Para os neoliberais o indivíduo é naturalmente egocêntrico e para se realizar, de forma plena, precisa ter mais e mais, sempre em detrimento dos outros e hipocritamente chamam essa visão egoística de “liberdade”, de “livre empreendedorismo”, etc.

Esse modo de ver os seres humanos e todas as coisas se aplica aos países, pelos neoliberais ou neoconservadores. Vejam, por exemplo, a “doutrina” de Trump expressa na palavra de ordem “America first” (os Estados Unidos primeiro). Ela se coaduna com os princípios neoliberais cuja prática levam aos conflitos intermináveis entre indivíduos, grupos sociais e guerras entre países. Por isso, a “doutrina” Trump e o neoliberalismo estão sempre a ameaçar direitos individuais, sociais e internacionais. Essa “doutrina” quer subjugar outros países a seus interesses e nós chamamos isso de imperialismo.

Não negamos que somos indivíduos, mas não esquecemos que não bastamos a nós mesmos. Isto é, precisamos do “outro” para nos realizarmos como seres humanos e não como bestas. Basta lembrar que, embora indivíduos, nascemos e nos desenvolvemos no seio de uma família, sem a qual não sobreviveríamos. Então, o homem é um “ser social” e não pura e simplesmente um indivíduo.

Se ser “nacionalista” é defender os interesses de uma nação, perguntamos se, do ponto de vista político, quanto do ponto de vista econômico, os interesses da nossa nação estão sendo observados? Na economia os lucros recordes do capital financeiro e a manutenção do modelo agroexportador que remonta ao Brasil-Colônia não são contrariados; na política, todos os políticos importantes (seja do legislativo, executivo e outras figuras públicas) são financiados, em suas campanhas eleitorais, por esses mesmos setores ligados diretamente ou indiretamente a interesses transnacionais que chamamos de imperialismo.

No Brasil, temos, entre vários, o exemplo da “reforma” trabalhista que para dar muito mais a uns poucos tira direitos de muitos.

Outros países, como o nosso, são subjugados por esse imperialismo. Com esses países em situação similar à do Brasil somos solidários e a isso denominamos internacionalismo.

Então, nacionalismo e internacionalismo não se excluem, ao contrário se complementam e cumprem a natureza solidária do homem.

Por isso, dizemos, com orgulho, somos BRASILEIROS, SIM! MAS, CIDADÃOS DO MUNDO, TAMBÉM!