CRIMES CONTRA A HUMANIDADE: HIROSHIMA, NAGASAKI E BRASIL

Hiroshima e Nagasaki.

Em 6 e 9 de agosto deste terrível ano de 2020,  completaram-se 75 anos  do cometimento de crimes contra a humanidade perpetrados  nas cidades de Hiroshima e Nagasaki.

O Tribunal de Nuremberg julgou e condenou a altos oficiais e personalidades da Alemanha Nazista à diversas penas, de morte e de prisão.

Mas, faltou um réu em Nuremberg: o Presidente  Harry Truman, dos Estados Unidos.

Com  a segunda guerra mundial nos seus estertores, em fevereiro de 1945, no Palácio de Livádia, em Ialta, na Criméia, reuniram-se Franklin D. Roosevelt, Winston Churchill e Josef Stálin. Essa reunião passou para a história como a Conferência de Ialta.  Nela se decidiu a redemocratização da Europa, o restabelecimento de fronteiras anteriores  às conquistas nazistas e que, após 90 dias da rendição da Alemanha, a União Soviética declararia guerra ao Japão e auxiliaria no esforço militar da invasão daquele país.

Mas, em abril de 1945, F. D. Roosevelt faleceu e foi sucedido por Harry Truman. Churchill, por sua vez, foi substituído por Clement Atlee,  após eleições gerais de 5 de julho do mesmo ano de 45, no Reino Unido.

O clima de entendimento entre as potências foi substituído pela desconfiança recíproca, para dizer o mínimo.  Era o começo da esquentada Guerra Fria que ocorreu antes do fim da 2ª  GM.

Apesar do Japão estar sem condições de continuar a guerra, temendo um predomínio soviético na área a sudeste da URSS (Japão, Coréia e China), Truman se apressa a encerrar a guerra com o Japão, de forma criminosa. Envia um ultimato, anunciando a existência de uma arma de excepcional capacidade destrutiva. Exigia a rendição do Japão ou sua destruição. O Japão não responde e Truman determina  o lançamento da bomba atômica em Hiroshima.

Nagasaki não estava no rol das cidades escolhidas para o lançamento da segunda bomba. O alvo era a cidade de Kokura, mas esta não tinha condições de visibilidade. Então, em 9 de agosto de 1945, lançou-se a bomba em Nagasaki, uma cidade sem qualquer importância militar.

Em Hiroshima, a explosão de 60 kg de U235, equivalente a 12.500 toneladas de TNT, provocou a morte de 140.000 civis. O número de sobreviventes foi superior a 300.000, que apresentaram efeitos de curto e longo termo decorrentes de doenças provenientes da exposição à radiação.

As bombas atômicas produziram efeitos arrasadores. No solo, a temperatura atingiu vários milhões de graus sob o epicentro da explosão. Num raio de 1 km, tudo foi instantaneamente vaporizado e reduzido a cinzas; até 4 km do epicentro os prédios e os seres humanos sofreram combustão instantânea; num raio de 8 km, as pessoas sofreram queimaduras de 3º grau.

Após o calor, ocorreu uma onda de choque que provocou um efeito devastador, causado pela enorme pressão devida à expansão dos gases; essa onda de choque progrediu a uma velocidade de 1.000 km por hora, como se fosse um muro de ar sólido. Ela reduziu a pó tudo o que se encontrava num raio de dois quilômetros. Dos 90 mil prédios da cidade, 62 mil foram completamente destruídos.

Um efeito ainda pouco conhecido em 1945 foi a radioatividade espalhada pela explosão nuclear, que provocou câncer, leucemia e outras doenças. Ela disseminou um terror muito maior do que outras conseqüências, pois suas manifestações só apareceriam dias, meses e até mesmo anos após a explosão.

Atingindo, proposital e indiscriminadamente, a população civil das cidades bombardeadas, Harry Truman cometeu o crime de genocídio, crime de guerra e contra a humanidade, mas nunca foi julgado a não ser pela história. 

Como justificativa desses crimes, Truman e outros americanos, defensores do imperialismo, sob a hegemonia americana, afirmavam (e ainda alguns afirmam o mesmo hoje em dia) que o lançamento das bombas nucleares, em Hiroshima e Nagasaki, evitou a morte de centenas de milhares de militares e civis. Isto é uma falácia, pois é impossível comensurar esses alegados números.

Apesar dos lançamentos criminosos, os EUA não intimidaram a URSS que, no mesmo dia 9 de agosto de 1945, começou a retomar a Manchúria e, posteriormente, a invadir a as Ilhas Curilas. Em agosto de 1949, a URSS já possuía a bomba atômica. Em outubro de 1949 foi proclamada a República Popular da China e em 1950 começou a Guerra da Coréia.

Brasil.

Em 20 de julho deste ano, um membro do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes, em entrevista, afirmou que as forças armadas brasileiras estão em concluio com um genocídio que estaria acontecendo no Brasil.

É muito importante que um membro da Suprema Corte, conhecido como alguém politicamente conservador, use essa palavra, porque ele certamente não a usou por acaso. Ele é alguém que conhece o conceito de genocídio, conhece a lei e não é novo no mundo jurídico ou político.

Nosso infeliz desgoverno, desde o início da pandemia, a considerou um resfriado simples. Não tentou salvar vidas humanas, mas reabrir a economia.

E em agosto deste malfadado ano, atingimos a inacreditável cifra superior a 100 mil mortes e a mais de 3 milhões de infectados em nosso triste país.

Por outro ângulo, não foram tomadas medidas sanitárias para proteger a população indígena brasileira.

Na nova lei sobre a água, no Brasil, Bolsonaro vetou a distribuição de água potável para os indigenas.

A pandemia de Covid-19 já afetou pelo menos 111 povos indígenas, segundo o Comitê Nacional de Vida e Memória Indígenas. No balanço do grupo, formado por líderes indígenas, o número total de infectados nesses grupos pelo novo coronavírus já atingiu 7.753 e o número de mortes em 349.

Além da pandemia, a população indígena brasileira sofre com a queima de florestas em seus territórios.

O Brasil encerrou 2019 com 318 mil km² de área florestal consumida pelo fogo, segundo dados do Programa Queimadas, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O número é quase o dobro do registrado no ano anterior: 86% superior ao de 2018 (170 mil km²). O ano passado foi o primeiro em que o INPE verificou um aumento na área queimada nos seis biomas  brasileiros medidos em comparação com o período anterior.

Os incêndios florestais são realizados por mineradores, madeireiros e proprietários ilegais de terras (grileiros) que exploram o agronegócio.

Mas, a “bomba” destruidora desatada no Brasil, não para, lamentavelmente, por aí.  Segundo, o G1, da Globo, em edição do dia 6 de agosto, a taxa oficial de desemprego subiu para 13,3%, atingindo 12,8 milhões de pessoas, com a observação de que o “desemprego só não foi maior porque muita gente deixou de procurar emprego…”

O desgoverno brasileiro aproveita a situação para “passar a boiada” neoliberal, com mais privatizações e reforma tributária, prevendo, entre outros, um novo tipo da velha CPMF. Ou seja, na realidade, confisco de salários. 

Do ponto de vista econômico, para sair da situação em que o País se encontra, o “mercado” precisa de aumento do consumo para girar a roda da economia.  Mas como haverá aumento do consumo se há uma enorme taxa de desemprego e ainda pretendem, através da nova CPMF, “confiscar” salários?!

É, no mínimo, uma outra burrice, entre as tantas desse desgoverno! 

Apesar de já longo este texto, falemos, um pouco, sobre a noticiada nota de 200 reais, deixando de lado se deve conter a figura do lobo-guará ou se deve ter a do vira-lata porque isso é uma distração do problema real.

Parece uma coisa inocente, não é mesmo? Mas, não é. Embora, possa haver recolhimento de notas velhas, a introdução da nota de 200 reais implica na indesejada INFLAÇÃO, pois aumenta o meio circulante. Até porque a inflação já chegou antes da nota de 200 reais. O IGP-M  subiu 2,2% em julho passado , no acumulado, dos 12 últimos meses, atinge 9,3%!  O IPCA acumulado está  em 4,1%.

Então, some-se o desemprego, o confisco de salários e a inflação e o resultado será aumento da pobreza e diminuição da classe média, bem como deterioração da saúde pública.

Assim como em Hiroshima e Nagasaki,  o Brasil sofre os efeitos de uma bomba devastadora – o neoliberalismo e os governos de tendência fascistóide pois só nesses tipos de governo é que o neoliberalismo pode se implantar.

Humberto Carvalho

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